DTF St. Louis, nova aposta da HBO Max criada por Steven Conrad, entrega muito mais do que o provocativo aplicativo de encontros que batiza a série. A produção começa como uma comédia sobre casamentos em busca de aventuras sexuais, mas logo se transforma em análise amarga de quem vive para agradar aos outros. O ponto de virada surge quando uma investigação de assassinato coloca em xeque as máscaras sociais de cada personagem.
No centro da trama estão Clark (Jason Bateman), carismático apresentador de previsão do tempo em St. Louis, e Floyd (David Harbour), intérprete de língua de sinais casado com Carol (Linda Cardellini). A amizade improvável nasce durante a cobertura de uma tempestade e aprofunda-se com a descoberta do aplicativo “DTF St. Louis”, que permite a casais explorar fantasias sem romper o matrimônio. O que parecia roteiro para piadas fáceis evolui para questionamentos sobre quem cada um realmente é.
Bateman compõe um Clark afável na superfície e manipulador nas entrelinhas, enquanto Harbour opta por uma atuação contida que evidencia inseguranças de meia-idade. Cardellini, por sua vez, foge do estereótipo de “esposa deixada de lado” e mostra uma mulher em busca da identidade perdida entre rotinas e papéis sociais. O humor permanece, mas agora serve de contraste para temas como envelhecimento, solidão e frustrações silenciosas.
A série utiliza o mistério policial não apenas para revelar um culpado, mas para expor versões ocultas de praticamente todos os envolvidos. Daí o mantra que atravessa os episódios: nada – nem pessoas, nem situações – é exatamente o que parece.
Contexto editorial
Steven Conrad já havia trabalhado a mistura de ironia e melancolia em “Patriot” (Amazon) e “Perpetual Grace, LTD” (Epix), estilo que volta a aparecer em DTF St. Louis. A HBO Max reforça assim sua linha de produções que combinam humor ácido e drama existencial, a exemplo de “The White Lotus” e “Barry”.
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Para Jason Bateman, o papel consolida a persona ambígua que ganhou força em “Ozark”, enquanto David Harbour se afasta do herói de “Stranger Things” para interpretar um homem comum diante do próprio fracasso cotidiano. Já Linda Cardellini retoma discussões sobre identidade feminina que a atriz explorou em “Dead to Me”.
No panorama da TV premium, títulos que entrelaçam comédia, crime e reflexão pessoal costumam ganhar repercussão prolongada, inclusive em premiações. Caso repita a fórmula de sucessos recentes da HBO, DTF St. Louis pode figurar entre as produções lembradas no próximo ciclo de Emmys.
Com informações de Mix de Séries
