São Paulo — A cinebiografia “Michael” atingiu neste domingo, 12 de julho, a marca de US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5,1 bilhões) em bilheteria mundial, feito inédito para produções do gênero. Com o resultado, o longa sobre Michael Jackson assume o posto de maior arrecadação de todas as cinebiografias já lançadas.
Dirigido por Antoine Fuqua e protagonizado por Jaafar Jackson — sobrinho do artista —, o filme estreou em 24 de abril com orçamento estimado em US$ 150 milhões. Desde então, quebrou duas barreiras relevantes: ultrapassou os US$ 911 milhões de “Bohemian Rhapsody”, consagrando-se como maior cinebiografia musical, e superou os US$ 976,7 milhões de “Oppenheimer”, tornando-se a cinebiografia de maior bilheteria absoluta.
“Michael” é apenas o segundo título lançado em 2026 a cruzar a linha do bilhão, atrás da animação “Super Mario Galaxy: O Filme”. O impulso decisivo veio do Japão, onde o longa chegou em 12 de junho — mercado que, historicamente, costuma impulsionar receitas globais de grandes lançamentos.
O sucesso financeiro já garantiu continuação. A Lionsgate confirmou “Michael – Parte 2” e revelou que cerca de 25% a 30% das cenas foram captadas durante a filmagem do primeiro longa. A nova data de estreia, no entanto, ainda não foi definida.
A expressiva receita de “Michael” reforça a atual tendência de Hollywood em apostar em cinebiografias musicais. Depois de “Bohemian Rhapsody” (2018) e “Elvis” (2022), estúdios passaram a enxergar nesses projetos uma combinação atraente de nostalgia, catálogo musical consolidado e apelo global. O êxito da produção sobre o Rei do Pop deve acelerar novos anúncios com artistas de grande alcance, como Madonna e Prince, cujos projetos já circulam nos bastidores.

A decisão de dividir a vida de Michael Jackson em duas partes também dialoga com uma prática cada vez mais comum em blockbusters. Obras como “Kill Bill” e a última saga de “Harry Potter” mostraram que o modelo permite ampliar bilheteria e aprofundar arcos narrativos complexos. No caso do cantor, a fragmentação facilita explorar desde a fase infantil nos Jackson 5 até os últimos anos de carreira, sem condensar décadas de história em um único roteiro.
Por fim, a performance robusta no Japão confirma o peso daquele mercado — o terceiro maior do mundo para títulos musicais. O país mantém relação duradoura com a obra de Jackson desde a década de 1980, fator que se refletiu em sessões esgotadas e campanhas promocionais locais intensas nas últimas semanas.