O cinema perdeu nesta segunda-feira (13) um de seus intérpretes mais versáteis. Sam Neill, eterno Dr. Alan Grant de “Jurassic Park”, morreu aos 78 anos em decorrência de uma pneumonia. A informação foi confirmada por seu assessor de longa data, Philip Grenz, que ressaltou o desejo da família por uma despedida longe dos holofotes.
Discreto na vida pessoal, o ator será sepultado em cerimônia restrita na fazenda onde vivia, na zona rural da Nova Zelândia. O local, segundo Grenz, sempre funcionou como refúgio de Neill entre um set de filmagem e outro, e agora também será palco de sua última homenagem.
A luta contra o câncer e a vitória recente
Apesar de a pneumonia ter sido o motivo imediato da morte, Sam Neill travava desde 2022 outra batalha de grande repercussão: um linfoma não Hodgkin em estágio três. O próprio ator revelou o diagnóstico em sua autobiografia publicada no ano passado, onde admitiu ter acreditado que “talvez não houvesse muito tempo sobrando”.
Após ciclos de quimioterapia sem resposta satisfatória, Neill submeteu-se à terapia CAR-T, protocolo que reprograma células do sistema imunológico para atacar tumores. O procedimento resultou em remissão completa, notícia celebrada por colegas e fãs. Em entrevistas recentes, ele defendeu o financiamento público da técnica para que mais pacientes tivessem acesso ao tratamento inovador. Essa conquista, no entanto, não o livrou da infecção pulmonar que acabou encerrando sua trajetória.
Cinco décadas diante das câmeras
Ínicio na década de 1970
Nascido em Omagh, na Irlanda do Norte, e radicado na Nova Zelândia desde a infância, Nigel John Dermot “Sam” Neill ingressou no cinema na primeira metade dos anos 1970. Ainda nos primórdios da carreira, chamou atenção internacionalmente com “O Despertar de um Paixão” (1977), produção que o levou ao Festival de Cannes.
Reconhecimento mundial em “Jurassic Park”
A consagração global chegou em 1993, quando Steven Spielberg o escalou como o paleontólogo Alan Grant em “Jurassic Park”. A performance, marcada pelo equilíbrio entre ceticismo científico e fascínio infantil, transformou Neill em rosto conhecido de várias gerações. Ele voltaria ao papel em “Jurassic Park III”, de 2001, e, já septuagenário, faria participação em “Jurassic World: Domínio” (2022).
Versatilidade além dos blockbusters
Embora associado ao universo dos dinossauros, Neill transitou com naturalidade por tramas intimistas, thrillers e séries de TV. Em “O Piano” (1993), drama multipremiado de Jane Campion, encarnou um fazendeiro rígido que contracena com Holly Hunter. Na televisão britânica, viveu o chefe da polícia Chester Campbell em “Peaky Blinders”, antagonista que impôs tensão à segunda temporada da produção.
Imagem: Screenrant
Projetos já finalizados ainda inéditos
Mesmo enfrentando problemas de saúde, o ator manteve uma rotina de trabalho intensa. Quatro longas-metragens com sua participação aguardam lançamento: “The Last Resort”, “Bring Him to Me”, “Apples Never Fall” e “Godzilla x Kong: Supernova”. Segundo as distribuidoras, os cronogramas de estreia estão mantidos, e os títulos devem chegar aos cinemas e plataformas de streaming ao longo dos próximos dois anos.
Cerimônia íntima na fazenda familiar
A família de Sam Neill optou por não divulgar detalhes sobre data e horário do funeral. O assessor limitou-se a informar que a cerimônia acontecerá “apenas com parentes e amigos muito próximos”, respeitando o incômodo que o ator sempre demonstrou diante de grandes exposições públicas. Não estão previstas homenagens abertas ao público ou transmissões on-line.
Legado para além da tela
Fora dos sets, Neill dedicava parte do tempo à vinicultura. Proprietário de vinhedos na região de Central Otago, ele costumava dizer que produzir vinho lhe proporcionava a mesma alegria que o palco e o cinema. Também se envolvia em causas ambientais, com ênfase na preservação de ecossistemas na Nova Zelândia.
Com mais de cinquenta anos de carreira, Sam Neill deixa uma filmografia que atravessa gerações e gêneros, do suspense ao romance histórico, do cinema independente ao grande espetáculo hollywoodiano. Seu apego à vida simples contrasta com a grandiosidade de personagens que seguirão vivos na memória coletiva. Embora a pneumonia tenha encerrado sua jornada física, o impacto de seu trabalho permanece, tal qual o rugido de um T-Rex ecoando nos corredores da história do cinema.
